Em tempos de um misto de esperança e precaução, torna-se fundamental aos discursos que proferimos estabelecer menos assertivas e mais perguntas, prioritariamente perguntas, porque quando engatinhamos nos fatos atuais, parece ponderante expor inquietações, porque as respostas virão, amanhã, que sabe...

Nos fatos mais novos das estratégias do governo municipal atual, bem presentes nos seus primeiros passos, destacam-se, como é sabido de todos, dois processos, um mais amplo e outro mais específico, a saber, o movimento de recadastramento do funcionalismo público, por meio do Decreto nº 004-2017 e o processo seletivo para professores substitutos por meio de Edital próprio. Dois movimentos que, notadamente, são mobilizadores e desinstaladores, porque se por um lado desloca o funcionalismo local que em parte jaz “deitado eternamente em berço esplêndido” para se apresentar e se por em serviço, por outro, ameaça destravar as manhas locais de oferta orientada de empregos, por vezes viciadas, trazendo, claro, muita antipatia e simpatia simultâneas.

É nesse contexto que se insere a pergunta de partida desse ensaio: a que(m) serve essas ações? Considerando que ambas são benvindas e tem esse poder de por nos devidos e corretos locais as tramas e “culturas” que se tornaram lugar comum de desorganização e de desqualificação da gestão municipal, tem, ao mesmo tempo, poder de embalsamar situações, em ambas as ações, porque pode mantê-las involucradas por uma feição nova e justa, preservando-as de sua “podridão”, trazendo à tona, claro, cristos locais almejados por razões diversas para servir de amostra do sucesso das estratégias.

Rapidamente exemplificando, no caso do recadastramento, tanto é provável se detectar estranhos e absurdos jogos na situação funcional dos servidores que atuam em detrimento da gestão municipal, corrigi-las e dar a essa situação justa adequação, quanto é possível, também, a depender de que(m) se atinge, e dos laços que enredam o governo, por sob falsas aparências, camuflar determinadas práticas, usando uma ou algumas delas para servir de mote e de exemplo para todos. Igualmente, na seleção dos professores substitutos, que é uma saída das mais corretas no âmbito da escolha de docentes para a rede de ensino, a estratégia pode acontecer com conveniente escolha, com base em experiência, avaliação de desempenho, nível legal de formação inicial e continuada, trajetória de reconhecimento pela comunidade escolar, entre outros atributos que deve ser priorizados nessa seleção. Podem, no entanto, servir para alinhar tais atributos aos comandos estritamente políticos, sobrepondo, e adaptando, a qualidade profissional com a bandeira partidária. Nas duas situações, estarem a serviço de interesses diferentes que não o badalado desejo de cuidar bem do município.

A pergunta, “a que(m) serve?” é perfeita no momento, por essa razão. Obviamente não nos cabe, ainda, responder. Serão os traços desse percurso que irão descrever a resposta real, oportuna e decente. Cabe aos observadores traçar desde já suas primeiras respostas.